sábado, 14 de novembro de 2015

Entrevista do prof. Guto Maia

Entrevista para alunas de Português da E.E Prof Zeicy App N. Baptista

Letícia Oliveira: Nome completo e idade?
Guto Maia: José Augusto Maia Baptista, 63 anos.
Letícia Oliveira: Onde nasceu?  
Guto Maia: São Paulo.
Letícia Oliveira: O senhor é casado? Tem filhos?
Guto Maia: Sim, tenho quatro filhos.
Letícia Oliveira: Qual a profissão deles?
Guto Maia: Mais velho é Jornalista e lutador de UFC. Abaixo dele, é doutorando Filósofo, e mora na Alemanha; O terceiro é mestrando em Literatura, e o mais novo faz nono ano e tem 16 anos.
Letícia Oliveira: Qual a sua religião?
Guto Maia: Eu sou simpatizante do judaísmo.
Letícia Oliveira: Formação acadêmica; em que faculdade se formou?
Guto Maia: Minha vida acadêmica é bem eclética, minha primeira faculdade foi administração de empresa (4anos), depois fiz dois anos de arquitetura na Belas Artes-SP, logo após eu fiz extensão universitária em Belo Horizonte; Artes plásticas. Musica na USP, trabalhei com o CoralUsp. E hoje eu faço música brasileira na USP. Fiz recentemente vestibular para pedagogia na UNIP e Unopar.
Letícia Oliveira: Uma qualidade e um defeito?
Guto Maia: Bom, como qualidade, sou muito curioso; pesquisador. Sempre estudando, que é fundamental pra continuar crescendo. E um defeito: talvez uma ansiedade em relação a projetos.
Letícia Oliveira: Como professor, há quanto tempo trabalha na área? E como músico?
Guto Maia: Então, como professor desde os 16 anos. Eu sempre fui professor de musica, depois de teatro e artes plásticas. Então minha vida de professor estava sempre ligada ás atividades que eu fazia; aulas particulares, em escolas, às vezes. Ultimamente, minha paixão está maior ainda porque estou pesquisando muito agora novas possibilidades e novas formas de educação e ensino. E isso tem sido bastante rico, principalmente pra área de inclusão, diversidade; tenho caminhado muito nessa direção de saber cada vez mais sobre a pedagogia do ensino, principalmente para pessoas com necessidades especiais.
Letícia Oliveira: O que te motivou a trabalhar na área da educação?
Guto Maia: O conhecimento! Essa curiosidade natural sempre foi muito forte, então, a educação pra mim é um aprendizado onde podemos compartilhar e ao mesmo tempo aprender, ao mesmo dia. Isso é apaixonante! E eu tive filhos, sempre adolescentes então sempre tive uma ligação muito forte com essa idade, essa necessidade educativa é importante, eu gosto dessa relação.
Leticia Oliveira: É compositor?
Guto Maia: Sim.
Letícia Oliveira: Tem uma banda ou faz carreira solo?
Guto Maia: Já trabalhei com banda, já tive carreira solo e hoje faço uma dupla com minha mulher há 20 anos. Uma dupla que faz música brasileira de todas as épocas desde 1995; Eu estava precisando de uma cantora para a realização de um projeto, que era criar 40 musicas para uma empresa de cosméticos; Então conheci minha mulher através disso tudo.  Inclusive em 1997 ganhamos um carro em uma promoção; concurso de performances e demonstração de amor á musica brasileira. Apresentamos uma performance que era cantar 24 horas seguidas, cantamos 521 músicas. Nos apresentamos no Café Maravilha, na Av. Soares- Paraíso. E ganhamos em primeiro lugar na promoção, e foi o que deu um auge na carreira.
Letícia Oliveira: Há quanto tempo é voluntário do instituto IBFC?
Guto Maia: Desde março de 2015.
Victória Dantas: Em ambos os trabalhos, o que mais gosta de fazer?
Guto Maia: Musica é complementar, eu trabalho muito com teatro, artes plásticas; então tudo pra mim faz parte da complementação da educação. Então a música é um canal muito forte de educação, porque ela aproxima as pessoas de uma forma imediata. Ela favorece muito todo o contato humano, principalmente para a aprendizagem de crianças e adolescentes. A música é totalmente ligada a educação pra mim.
Victória Dantas: Qual seu estilo musical e por quê?
Guto Maia: Musica brasileira. Eu tive uma formação onde meus pais ouviam muito musicas brasileiras antigas, então desde pequeno fui influenciado a escutar esse ritmo. Meu pai tinha uma discoteca bem bacana, então ouço esse gênero desde sempre. Comecei a tocar piano dos 7 anos até os 10 , e depois comecei a tocar violão desde os 11, foi quando me apaixonei por cordas. Comecei no rock americano e depois a musica brasileira começou a ficar forte quando meus amigos não conheciam as musicas com que eu era acostumado a ouvir; então eu pegava essas musicas e dava a elas uma ‘’roupagem’’ nova, conforme a época. Trabalhei com grandes professores, e com esse conhecimento que eu tinha, eu comecei a fazer sucesso com os amigos e meninas que não conheciam aquelas musicas, mas gostavam da letra e tal. Desde então me aprofundei em musica brasileira; morei fora do Brasil cantando esse ritmo. Recebemos sempre tão bem os estrangeiros, e eu me senti meio que no dever de fazer com que os outros conhecessem nossa cultura. Foi uma ligação muito forte, intelectual, filosófica em todos os níveis.
Victória Dantas: Qual o momento mais marcante na sua vida profissional?
Guto Maia: Foram dois momentos : Quando ganhei o carro cantando, foi maratona onde eu e minha mulher nos preparamos como atletas e tivemos acompanhamento médico para conseguir passar 24 horas cantando de pé, uma música seguida da outra, muito marcante pois foi um projeto todo pensado. Outro momento foram os festivais, ganhei alguns, isso é muito rico na vida de qualquer artista, uma premiação onde o mérito é um quesito porque você escreveu um projeto e foi reconhecido, é muito gratificante. Porém tem vários outros momentos marcantes.
Victória Dantas: Quantos instrumentos sabe tocar ?
Guto Maia: Guitarra é meu instrumento; além dela sei tocar um pouco de percussão, piano tudo muito rudimentar, violino eu estudo um pouco, mais eu quero sempre estar desenvolvendo novos instrumentos com mais qualidade, mas violão e guitarra são os que tenho mais habilidade.
Victória Dantas: Se você pudesse viajar este momento, para onde iria ? Porque ?
Guto Maia: Nesse momento eu iria para França, Paris mais especificamente,  por uma questão de bem estar. Em 1976 eu fui para a Europa estudar e viajei muito e fiquei quase 2 anos tive que voltar porque acabou o dinheiro, eu era estudante e foi uma certa frustração ter voltado de uma meio compulsória. Então uma coisa que eu faria hoje e gostaria (espero fazer ainda)é ir para Paris como forma de conhecimento.
Victória Dantas: Um sonho que ainda não realizou ?
Guto Maia: Ah puxa! Quero ter uma escola, estou fazendo um direcionamento do meu trabalho para daqui a 4 anos começar uma escola onde eu tenha um método que eu acredito, para todas as faixas (de idade) principalmente jovens, que ela seja inclusiva, completa com muito ... resultado. Minha intenção é essa ter uma escola.
Victória Dantas: Uma pessoa que admira na sociedade ?
Guto Maia: Nesse momento eu tenho um professor , Clóvis, que é um filósofo. Admiro muito ele como um professor exemplo de determinação, é um cara que eu gosto.
Victória Dantas: Se pudesse mudar algo no mundo o que mudaria ?
Guto Maia: Puxa! Eu colocaria uma guitarra na mão de cada cara com um fuzil (risos). Acho que o mundo teria mais soluções interessantes.
Victória Dantas: O senhor se considera um a pessoa feliz ? Justifique.
Guto Maia: Com certeza, muito, muito mesmo. Acho que a gente aprende quando trabalha com inclusão e projetos sociais 4 coisas básicas uma é ajudar, outra é pedir ajuda, terceira ser ajudado e a quarta é ter gratidão, são coisas que é difícil a gente exercitar de forma equilibrada. Eu prezo muito essas quatro atitudes porque quando você precisa é difícil pedir ajuda; para ajudar nem sempre você está disponível; ser ajudado é complicado e a gratidão: nem sempre somos reconhecidos ou reconhecemos Essas 4 coisas são importantes e fundamentais.
Victória Dantas: Para encerrar, o senhor gostaria de deixar alguma mensagem para os estudantes que vão escutar essa entrevista?
Guto Maia: Sim! Eu acho fundamental, eu sempre digo isso para os alunos: Essa faixa etária, entre os 14 e 18 anos, é a mais importante pro mundo e é a faixa mais bonita, não tem gente feia (risos). É impressionante como a beleza está nessa faixa, e o futuro do mundo também; porque quem já está formado, já é adulto, quem já tem consolidada a sua trajetória não vai mudar tantas coisas… Quem é muito novo, ainda está começando, agora essa faixa etária de jovens é de onde virá toda a mudança e toda a novidade que surgirá no mundo cada vez mais. Eles vão ajudar a melhorar as coisas em que não acreditamos, e não confiamos: a parte ética, moral, ideológica, filosófica, religiosa, tudo isso vai vir dessas pessoas: Essa qualidade.
Victória Dantas: Então é isso professor Guto, muito obrigada!
Guto Maia: Obrigado eu !