sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Bebeto Romero

Umas das paixões, depois da família e do futebol: a lancha "Candy"
Bebeto Romero foi jogador e diretor de futebol e vice-presidente de clube esportivo em São Paulo/Brasil.  
É graduado em Economia e Finanças pela Câmara do Comercio de Londres/Inglaterra, e tem uma empresa no ramo farmacêutico, no Brasil.  
É formado em Administração de Empresas, pela UniSantana, São Paulo/BRA.  
Como jogador, passou por vários clubes do Brasil: São Paulo FC, Portuguesa, Juventus e Clube de Regatas Tietê. Fez curso de Técnico de Futebol, na FEDERAÇÃO PAULISTA DE FUTEBOL, e como treinador, inspirado no modelo de comando de Telê Santana, seu ídolo como técnico, teve grande sucesso na carreira, sendo campeão 15 vezes em 16 títulos disputados, num dos times de Futebol Society que dirigiu .
Atualmente, está estudando a possibilidade de se transferir para o futebol da Europa como técnico, e participa de um projeto de intercâmbio de jogadores para clubes internacionais.

A Entrevista
1. Com que idade você começou no esporte?  
BR - Comecei no esporte bem cedo, o melhor e maior presente que ganhei foi uma bola de futebol, e lógico que aos 6 ou 7 anos não se tem muita intuição, ou definição por quase nada na vida, mas eu sabia que o futebol me encantava, e me fazia e faz  muito feliz. Nessa idade as brincadeiras eram chamadas de racha ou pelada, e sempre estava eu lá com os amigos jogando de tarde, até escurecer, e mesmo nessa hora mudávamos o campo para debaixo de um poste iluminado.

2. Você começou pelo futebol? 
BR - Sim comecei pelo futebol. Como desde os 5 anos estive associado a clube, e pude desenvolver lá minhas atividades, bem como no colégio, onde a qualquer momento, qualquer tipo de objeto se transformava em bola, e nos horários mais improváveis, bastava que sobrassem 5 minutos, que inventávamos um jogo de bola.
3. Você gostava de treinar?
BR - Acho que treinei mais que qualquer amigo meu naquela idade, e de tanta persistência, acabei unindo treino ao talento, que resultou em algo acima da média para jogadores da minha idade, e por essa razão, chamava mais atenção dos clubes. Mas foi aos 13/14 anos que comecei a ter mais chances de jogar, mesmo que amador, porém em clubes mais importantes da época, jogando no futebol de salão no Clube de Regatas Tiête, onde também pratiquei uns 4 anos de basquete, que me ajudava muita na questão tática, pois a utilizamos muito no futebol. Jogando na rua Salete, em Santana onde morava, fui observado por um vizinho que se chamava Lola (Jogador do São Paulo Futebol Clube), que nos meus 16 anos me encaminhou a este Clube para um teste, onde passei, porém tive que passar por uma adequação médica para crescimento, onde fiquei por 6 meses, em seguida estive na Portuguesa de Desportos de São Paulo, onde esbarrei na mesma questão de altura, pois para minha idade, não tinha a altura compatível, mas ainda assim fiquei no time amador por 13 meses. Quando completei 18 anos e ja havia crescido e atingido os 1:74 m de altura, fui aprovado no profissional do Clube Atletico Juventos de São Paulo, onde permaneci por 12 meses, no time aspirante ao profissional, com contrato não oficializado, mas sempre tive minha profissão paralela que era a de funcionário de banco, onde ganhava muito mais do que no futebol, e ainda assim jogava no melhor time de Futebol de Salão da capital, conhecido como Vitor Viana, que era um colégio que investia muito no futebol, e éramos um time invariavelmente Campeão na maioria dos torneios que disputava.
Assim, com a minha saída do Juventos em 1971, dei sequência no futebol de salão, onde atuei no Botafogo de Santana, Estrêla, AD Santana, e Clube de Regatas Tiête, porém sempre com uma atividade paralela, pois era necessário trabalhar e ter o meu sustento, minha família não tinha condições de me sustentar somente jogando bola.
4. Como foi o início da sua carreira de Técnico?
Aos 26 anos, tive a oportunidade de residir em Londres, na Inglaterra, onde permaneci por 18 meses, e me formei Economista e Financista pela Câmara do Comercio de Londres. Quando retornei, deixei de vez a carreira de jogador de futebol, e ingressei na vida profissional, como Administrador de Empresas em empresa multinacional Americana.  
Paralelamente, fiz o curso de Técnico de Futebol, na FEDERAÇÃO PAULISTA DE FUTEBOL, e iniciei a carreira de treinador de um time amador chamado "MARACHÁ" armênio, onde obtive diversas conquistas até levá-los a Primeira divisão do futebol de Salão de São Paulo, ganhamos até titulo internacional disputado no Uruguai, contra os donos da casa e a Argentina. 
Na sequência, dirigi diversos outros times na primeira divisão, como Clube Atletico Indiano, onde conquistamois alguns titulos, Nacional Clube, patrocinado pelo Banco Nacional, mesmo patrocinador do grande piloto Ayrton Senna, dirigi tambem o Tenis Clube Paulista, Banco do Brasil, entre outros, assim como o melhor time de todos os tempos no Futebol Society chamado "Maniaka", onde disputamos 16 titulos e vencemos 15, com jogadores muito conhecidos à época, como Dener, Jorginho, Betinho, entre outros.
5. Qual a diferença do futebol daquela época para os dias de hoje?
BRLógico que hoje temos atletas de muita qualidade pelo mundo, porém não podemos esquecer de dizer que o que prevalece hoje é a força física, aliada a uma qualidade técnica por vezes questionáveis, em virtude do ganho de massa muscular dos atletas, o que faz com que se perca muito na mobilidade natural do ser humano.
Não gosto de fazer comparações, pois se assim fosse eu diria simplesmente que: os de outrora não jogariam hoje, mas também é verdade que os de hoje não ficariam nem no banco dos times das décadas de 60/70 e 80.
A qualidade dos jogadores dos anos 60 até 80, eram tecnicamente de talentos, porém a parte física era pouco aplicada, pois podemos dizer que também era pouco difundida, conhecida, e aplicada, por falta da tecnologia que temos hoje. Mas, a qualidade era esplendorosa, brilhante, nata e incomparável com qualquer outros tempos, eh,eh (talvez seja um pouco de saudosismo!).
Esse futebol-arte começa a declinar após a copa de 1982 , a última em que a qualidade técnica imperou, onde a Seleção brasileira de Telê Santana deu um verdadeiro show, embora não tenha conquistado o titulo. Após essa copa, começou a prevalecer e com muita rapidez a questão física. Convenhamos, o futebol caminhou para o Business, envolveu muito mais dinheiro, baixou a qualidade técnica, aumentou a qualidade fisica...é dessa forma que entendo a diferença das duas épocas. 
6. Em que estágio da vida você se encontra hoje?  
BR Lógico que como tudo na vida tem seu tempo, hoje tenho mais idade, mais experiência, mas nunca perdi a vontade pelo futebol, percebo que sempre esteve no meu sangue, e sinto que ainda posso contribuir muito com o esporte que escolhi para viver a minha vida, sempre estarei a espera de um convite e sei do que posso acrescentar e passar aos mais jovens, até porque sempre me atualizei, e sei que sou um treinador moderno com táticas atuais, e estratégias diferenciadas, e com certeza me dedicarei até meus últimos dias, não haverá final, e sim interrupção. Mas faz parte da vida, tudo isso de bom espero levar para o andar de cima..rsrsrsrsrsr. 
7. Quais foram seus ídolos e quais treinadores de futebol o inspiraram?
BRDifícil falar de ídolos, pois foram tantos que posso até cometer injustiças, mas vamos lá: Pelé, Rivelino, Prado, Zico, Carpegiani, entre outros.
Já como treinador são poucos: Telê Santana, Rubens Minelli, Brandão, todos atuaram de formas diferentes, porém todos foram vencedores e aplicaram seus conhecimentos, com os quais confesso aprendi e copiei muito, e em alguns casos até os dias de hoje são táticas atuais, guardadas as devidas proporções. 
8. Para quem você é importante, e como você pode contribuir para a formação e intercâmbio de atletas?
BREntendo que é muito dificil interpretar a palavra "importância", tenho comigo que sou realmente importante para minha familia e amigos, no mais seria preciso fazer essas perguntas nos segmentos nos quais atuamos. Já trabalhei em outras oportunidades testando e selecionando jogadores para outros paises, principalmente para a Alemanha.
O que sempre percebi e nunca aprovei, ao menos no Brasil, é a forma como se escolhe um profissional para trabalhar com iniciantes na atividade esportiva do futebol.
Sempre achei que escolhiam muito mal, pessoas mal preparadas, sem conduta moral ilibada para essa tarefa, e também sem o conhecimento para ensinar os fundamentos básicos dessa modalidade esportiva. Portanto, se no Brasil nasceram e ainda nascem muitos craques, jogadores acima da média, é por puro talento nato e destino em sua maioria, são muito pouco trabalhados e desenvolvidos, pois prevalesce muito a questão do "QI"  (quem indica!), e por isso é que vemos muitos talentos sem oportunidades, o que de certa forma para outros paises é muito bom: Ex.: nas últimas chamadas das seleções brasileiras no time profissional, tem jogadores que nunca ouvimos falar no Brasil, o que comprova que alguém não deu a devida atenção e/ou oportunidade a eles enquanto estavam por aqui.
9. O que você espera do seu projeto de formação e intercâmbio de atletas? 
BRJogar luz sobre novos talentos, e encontrar novos mercados para valorização desses jogadores. É dessa forma que o material humano que temos em abundância será mais valorizado, sendo bem aproveitado aqui, mas também com novas possibilidades, até para que os talentos não se percam  ficando somente num lugar, e sem espaço. Podemos selecioná-los e enviá-los para outros países, para que façam do prazer de jogar bola a sua vida, e possam também realizar os desejos de suas familias.
10. Grato pela gentileza da entrevista!
BR - Obrigado.